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E AGORA ??

O MUNDO VISTO PELOS MEUS OLHOS

O MUNDO LEVA-NOS AS PESSOAS

por ARMANDO CORREIA, em 19.02.14

Fui ao blogue da Claúdia Oliveira aqui http://maufeitio3.blogs.sapo.pt/la-longe-814840 e " roubei-lhe " este texto maravilhoso que passo a copiar.

 

Na primária tinha uma amiga chamada Paula. Ela vivia perto do rio Tejo, depois da linha de comboio. Lembro-me de brincar com ela. Dos cabelos dela. Da cara. Éramos super amigas. Ela era uma rapariga muito alegre. Quando o meu pai faleceu, vim morar para longe. Não era propriamente longe, mas longe o suficiente para não conseguir ir a pé até à casa dela, como antes. Às vezes, pergunto-me o que foi feito dela. Já dei por mim a procurar por ela no facebook, sem sucesso. Acho que não a ia reconhecer hoje em dia. Nem ela a mim. Tenho pena de ter perdido contacto com algumas pessoas. Digo o mesmo da Vânia. A Vania era filha de pais divorciados, tinha uma irmã com problemas de saúde. Era muito boazinha. Passei imensos fins de semana na casa dela. Divertia-me tanto. Na altura a internet não fazia parte das nossas vidas. Não fomos para a mesma escola. De vez em quando penso nelas, na Paula e na Vânia. Será que elas pensam em mim?

 

 

Gostei tanto... e ao mesmo tempo senti saudade.

O que fizémos ao longo da nossa vida? Perdemos as pessoas que viviam " para lá da linha do comboio ", esta imagem do Tejo ao fundo quase que faz a distância girar na nossa cabeça, faz-nos sentir o quanto alguns que nos foram queridos estão longe.

Todos nós somos um bocadinho ingratos e os outros são ingratos connosco, porque a vida nos fez esquecer ou apenas guardar no baú sem previsão de abertura as recordações dos outros, daqueles que fomos deixando pelo caminho.

Este texto da Claúdia faz-me reflectir sobre o que foi a minha vida, e para onde foram os que foram da minha vida.

A imagem que a Cláudia deixa de irmos procurar ao facebook, mostra bem que eles ainda estão cá na nossa mente e que de vez em quando o baú entreabre-se e as recordações saem de lá e vamos procurar no futuro, o que é o futuro deles.

Por outro lado, a última pergunta da Cláudia faz com que nos questionemos sobre o que pensam aqueles que nós não encontrámos, será que também nos procuram?

O texto é delicioso, parece quase um bocadinho tirado de um livro.

Simples, honesto, saido da alma, naqueles momentos em que paramos e pensamos.

E o futuro será o quê, girará de forma tão rápida que nem nos lembraremos de quem conhecemos ontem???

Gostei Cláudia, gostei muito.

 

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