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E AGORA ??

O MUNDO VISTO PELOS MEUS OLHOS

DA MORTE NINGUEM FALA

por ARMANDO CORREIA, em 29.04.14

A morte foi sempre um tabu, esta semana surgiu a noticia da morte de um actor aparentemente feliz com a sua vida, mas que decidiu precisamente terminar com ela.

Todos fugimos de falar da morte, e quase todos dizem ter medo da morte, mas acredito que muitos de nós já pensou nela.

Não me choca também que tenhamos pensamentos sobre a morte, talvez haja quem diga que será um exercicio de loucura pensar sobre a própria morte, mas não concordo com isso.

A certa altura das nossas vidas a morte passa para segundo plano, especialmente quando surge alguém que nos agarra á vida, a certa altura a nossa vida deixa de ser só nossa, porque a vida de outros passa a depender da nossa, especialmente a vida dos nossos filhos.

José Saramago dizia que os nossos filhos são-nos emprestados, não são nossos. Concordo com ele, quando crescem e vão á sua vida, deixam de nos pertencer no sentido de que a vida deles deixa de ser uma extensão da nossa e nessa altura a morte passa de novo a ter um papel relevante especialmente porque estamos mais perto dela.

A morte surge no pensamento nos momentos de crise emocional, naqueles momentos em que tudo parece desabar e torna-se uma sombra menos relevante naqueles que conseguem manter o equilibrio.

Mas a morte vive escondida entre demónios que muitas vezes são só nossos e vivem nos nossos pensamentos e vai espreitando, provocando sofrimento que por vezes todos os que estão á nossa volta não conseguem ver.

Não tenho medo da morte, não penso muito nela, mas gostava de conseguir ver os vultos carregados que estariam no meu funeral, gostava de saber quem são os que realmente se importam e aqueles que fazem de conta que se importam.

Não penso na morte porque tenho essa extensão da vida, que me agarra e me obriga a viver e a gostar de viver.

A morte não é mais do que a consequência de viver, e não devemos nunca ignorar os sinais por mais estupidos que nos possam parecer daqueles que ao nosso lado nos parecem as pessoas mais felizes do mundo, sob pena de eles não terem medo da morte.

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