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E AGORA ??

O MUNDO VISTO PELOS MEUS OLHOS

A CRÓNICA DO LOBO ANTUNES- TUDO CINZENTO NA JANELA... E O DIA DOS NAMORADOS

por ARMANDO CORREIA, em 14.02.14

Hoje ao chegar ao escritório ligo o computador e dou-me de caras com a crónica do António Lobo Antunes no site da visão aqui:

http://visao.sapo.pt/tudo-cinzento-na-janela=f769201

 

Fez-me reflectir sobre a saudade e a morte, a perda e de novo a saudade.

Quando perdemos ao fim de pouco tempo mostramos ao mundo uma espécie de carapaça como se tivessemos esquecido os que perdemos, mas eles continuam cá e a saudade continua cá, gosto de saborear esta tipo de crónicas, sorvendo cada palavra numa espécie de exercicio de recordação do que foi e não voltou.

nas palavras escritas por Lobo Antunes sente-se tão bem a saudade.

E curiosamente hoje esta crónica faz-me divagar para outros lados, hoje é dia dos namorados e tenho a certeza que muitos fazem um exercicio neste dia que nunca divulgam, este dia acaba por não ser só o dia dos nossos ou nossas companheiras, namoradas, esposas actuais, é o dia em que muitos de nós se lembram das outras e dos outros, dos que foram, dos que namoraram, dos que e das que namorámos.

E é um dia em que ninguém fala deles e delas, porque não fica bem, porque temos o hábito de passar a borracha no passado.

Mas eles e elas, os ex. e as ex. estão cá, serviram um dia para nos dar boas ou más recordações, vivências e também saudades do que foi bom, desprezo pelo que foi mau, mas neste dia cinzento, eles também existem e daquele lado fazem o mesmo exercicio o de concentrar as suas energias nos que estão ao seu lado, esquecendo os que foram.

Eu lembro-me curiosamente dessas pessoas, não faço qualquer esforço para as esquecer neste dia, dá-me quase vontade de copiar só uma frase do Lobo Antunes para a adaptar a esta realidade  " E depois existem coisas só nossas, íntimas, secretas, sem interesse para os  outros, creio. "
Esta é a verdade neste dia, também existem só coisas nossas, intimas, secretas. que nos fazem lembrar os outros.

É bom desde que essa recordação seja feita, sem arrependimento, sem raivas, sem remorsos. Apenas são os namorados e namoradas que passaram um dia na nossa vida, que nos deram e nos tiraram, que nos ensinaram, que nos deram amores e desamores. Foram um dia.